A história de todos os povos do planeta é recheada de heróis. Na população indígena brasileira não é diferente. Se durante muitos séculos, os índios lutaram contra tribos rivais e colonizadores pela sobrevivência em nossas florestas, hoje a batalha é contra o desmatamento que destrói seus territórios. Almir Narayamoga Suruí é um desses heróis dos dias de hoje. O líder da terra indígena Sete de Setembro, em Rondônia, foi eleito pela ONU um dos cinco salvadores das matas do planeta em 2012. O Programa Heróis da Floresta, da entidade, seleciona pessoas de todo o mundo que trabalham para proteger e incentivar o desenvolvimento sustentável em áreas verdes.
Em cerimônia realizada em abril deste ano, Almir foi o escolhido entre candidatos da América Latina e Caribe. Além do brasileiro, outros quatro heróis foram escolhidos: Rose Mukankomeje, de Ruanda; Preecha Siri, da Tailândia; Hayrettin Karaca, da Turquia; e Ariel Lugo, dos Estados Unidos. Em sua luta pela preservação do território de seu povo em Rondônia, Almir criou diferentes projetos. Um dos que mais chamaram a atenção da ONU é a iniciativa, em parceria com empresas e ONGs, de utilizar a internet para denunciar o desmatamento ilegal e promover a cultura dos Suruí. O brasileiro usa imagens de satélites e telefones celulares para revelar as ações criminosas. E com o auxílio de GPS, informar o local exato do desmatamento. As denúncias são enviadas para as autoridades competentes.
A tecnologia também é empregada para divulgar hábitos e costumes dos habitantes de Sete de Setembro, local onde vivem os Suruí. Os índios da aldeia, localizada entre os municípios de Cacoal e Espigão d’Oeste, em Rondônia, disponibilizaram na internet uma espécie de “mapa cultural”, com informações sobre a história e a cultura desse povo da mata. O prêmio recebido por Almir Suruí não é inédito entre os brasileiros. No ano passado, Paulo Adário, diretor do Greenpeace na Amazônia, e os ativistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, também foram selecionados. O casal de ativistas, assassinado no Pará em 2011, foi nomeado com uma homenagem póstuma.
Confira no vídeo abaixo a entrevista com Almir e saiba um pouco mais sobre o seu povo:
Artigo escrito por Gabriel Pondé







