Panorama da energia solar no Brasil
A produção elétrica a partir da energia solar ainda é tímida no Brasil. Como já vimos aqui no blog, a eletricidade obtida a partir dos raios solares responde por muito pouco da matriz energética brasileira – 1,5 megawatt (MW) do total de 118 mil MW produzidos no país. Em operação, há somente oito centrais de energia solar. Há gargalos entre a vontade de produzir e o real aproveitamento do enorme – e comprovado – potencial brasileiro.
Quanto mais áreas irradiadas pelo sol, maior é a capacidade produtiva. Segundo Clarice Ferraz, pesquisadora do grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o local com o pior grau de irradiação do território brasileiro é 40% superior ao melhor da Alemanha. Só para recordar o post anterior, a Alemanha é o país que mais tem investido em energia solar no mundo. O problema brasileiro tem pouco a ver com falta de pesquisa e investimento. Analistas e acadêmicos concordam que o principal entrave ao desenvolvimento da área é político. A falta de regulamentação impede que investidores privados se interessem pelo setor.
Por consequência, as previsões sobre a popularização da energia solar não saíram do papel. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2008 mostrava que, entre 2012 e 2013, algumas regiões brasileiras já poderiam apresentar preços equivalentes entre a energia fotovoltaica (aquela produzida através dos painéis de captação solar) e a eletricidade convencional. Como se sabe, isso não aconteceu e não há sinais de que esteja perto de ocorrer. As previsões atuais consideram o ano de 2020, mas, mesmo assim, as autoridades do assunto preferem não cravar datas. Para Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, uma disputa dos agentes do mercado pela energia solar poderia dar vitalidade ao setor. E aí retornamos à demanda por um estudo sério que viabilize a criação do marco regulatório.
É esse emaranhado político o principal obstáculo a novas aplicações de energia solar no cotidiano dos brasileiros. Enquanto essa questão não for solucionada, o país continuará desperdiçando potencial e dinheiro. É importante divulgar o montante gasto até hoje pelo governo federal em pesquisas e projetos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde 1994 – ano de criação do Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios (Prodeem) – foram repassados 37,25 milhões de dólares em recursos. Apesar dessa cifra considerável, os resultados ainda são irrisórios. Temos um longo caminho a percorrer nesse setor aqui no Brasil.
Artigo escrito por Henry Galsky




