Um asfalto diferente abre novo caminho para a sustentabilidade

Fonte: mkrigsman
E se alguns dos grandes problemas do Brasil pudessem ser resolvidos de uma só vez? Isso é possível e tem a ver com a busca por sustentabilidade sobre a qual costumamos tratar aqui no blog. Há uma maneira de reduzir a insegurança nas estradas, os grandes gastos públicos com a manutenção das vias e, ao mesmo tempo, a dependência de petróleo, fonte não renovável de energia.
Não se trata de mágica, mas de uma invenção já usada nos Estados Unidos, na Europa e na África do Sul desde os anos 1960. O chamado asfalto ecológico pode ajudar a resolver boa parte das questões listadas no primeiro parágrafo. O produto tem em sua composição 20% de borracha de pneus velhos triturados. A quantidade de pneus usada na fabricação de asfalto necessária para pavimentar um quilômetro de estradas ou ruas varia entre 200 e 2.000, de acordo com a tecnologia aplicada. Apesar de ainda não ser popular por aqui, autoridades do estado mais rico do país já começaram a se mobilizar: no início deste ano, o governo de São Paulo sancionou uma lei que torna obrigatório o uso do produto nas estradas estaduais sempre que possível.
E as vantagens da substituição do convencional pelo sustentável são mesmo bastante consideráveis: a borracha do pneu demora 600 anos para se decompor; quando queimada, libera dióxido de carbono e enxofre, causando grande impacto ao meio ambiente. A outra variável dessa equação é o fato de, hoje, o Brasil ter cerca de 40 milhões de pneus sem qualquer utilidade se acumulando em lixões e depósitos improvisados. Do ponto de vista ecológico, produzir asfalto a partir desse material resolveria esse assunto.
Mas há outros pontos positivos: segundo pesquisadores, ele aumenta a aderência dos veículos, absorve mais água em dias de chuva e é cerca de 40% mais resistente que o asfalto comum. No entanto, a massificação de seu uso ainda deve demorar por aqui devido a uma razão simples: além de a mistura ser 25% mais cara do que a atual, há poucos fornecedores no mercado – até o final do ano passado, só havia cinco empresas brasileiras tecnicamente habilitadas à fabricação.
A longo prazo, isso não deve ser um obstáculo à popularização de um produto que carrega tantas vantagens. Com investimento em pesquisa, a tendência é que o preço caia. Assim, governos e empresas privadas poderão usar o asfalto ecológico no dia a dia das cidades brasileiras.
Na reportagem abaixo, o processo de produção e uso do asfalto ecológico.
Artigo sugerido por José Carlos de Brito e escrito por Henry Galsky



