O Brasil, este gigante com dimensões continentais, também é superlativo no número de unidades de conservação. Popularmente conhecidas como parques e reservas, as 312 unidades federais – que abrangem pouco mais de 75 milhões de metros quadrados ou 10% do território do país – são geridas pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Mas para que servem essas áreas, espalhadas da Amazônia aos pampas? Quais os seus potenciais econômicos? As unidades são bem geridas?
Um relatório divulgado em 2011, feito pelo governo federal com o Programa da ONU para o Meio Ambiente, aponta que há um enorme potencial econômico adormecido nos parques nacionais, tipo de unidade que permite visitações do público. Segundo o documento, no Brasil poucos possuem infraestrutura
satisfatória para visitação e realizam o controle de fluxo de visitantes e cobrança de ingresso. Há ainda concentração de 70% dos visitantes em dois parques: Tijuca (RJ) e Iguaçu (PR). Considerando uma projeção de aumento de até 25% no número de visitantes até 2016, teríamos uma estimativa de impacto na economia local de R$ 1,77 bilhão. Valor muito superior ao custo de manutenção dessas áreas.
O estudo – cujo download pode ser feito aqui – lembra que as unidades de conservação não constituem espaços produtivos “intocáveis”. Ao contrário, fornecem direta ou indiretamente bens e serviços que satisfazem várias necessidades da sociedade. Há um longo caminho a percorrer para que as unidades sejam reconhecidas como provedoras de desenvolvimento ao país. Países como México e África do Sul investem, segundo o estudo já citado, entre 10 e 17
vezes mais que o Brasil por hectare em áreas protegidas. Desde a criação do Parque Nacional de Itatiaia, em 1937, à recente implantação da Reserva Biológica Bom Jesus, no Paraná, em junho de 2012, o Brasil sabe da importância de manter seus ativos ambientais em pé. Talvez seja hora de colher os benefícios desses espaços com rica biodiversidade e beleza cênica
Assitsa o vídeo com o programa sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, que abriga o bosque remanescente de manguezal da Baía de Guanabara:
Artigo escrito por Emanuel Alencar







