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Alternativas para o uso de energia solar no cotidiano

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Foto: relógio movido a energia solar em Hokkaido, Japão Fonte: Arjan Richter

Nos posts anteriores sobre energia solar, apresentamos a realidade do desenvolvimento em grande escala da pesquisa em torno dessa matriz. O panorama ainda não é muito favorável e mostra aproveitamento abaixo do potencial, principalmente quando nos referimos aos passos institucionais que vêm sendo dados timidamente aqui no Brasil. No entanto, há iniciativas em menor escala que dão o exemplo de como é possível usar o sol como fonte de eletricidade no dia a dia.

Pesquisa realizada em quatro conjuntos habitacionais de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, mostra que o uso de aquecedores solares reduz o consumo de energia em 25% e a conta de luz dos moradores em quase 60%. Esse tipo de benefício interessa, é claro, a todos os brasileiros. E, ao contrário do que se imagina, é possível construir equipamentos sem empregar grandes recursos financeiros.

A iniciativa do engenheiro elétrico Augustin Woelz é um exemplo disso. Ele desenvolveu por conta própria o Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC). Podendo ser construído e instalado pelo próprio usuário, a invenção tem todos os benefícios econômicos e de sustentabilidade do projeto de Betim e apresenta valor de investimento inicial de R$ 350. A Organização Não Governamental (ONG) Sociedade do Sol realiza cursos gratuitos e com preços populares que ensinam a construir o equipamento.

Tauá, no estado do Ceará, é a cidade brasileira que apresenta os maiores índices de radiação solar do país. O município decidiu não esperar e partiu em busca de cooperação internacional para aproveitar esse potencial. A partir de uma parceria com empresários de Israel, instalou um equipamento que capta energia solar durante o dia e gera eletricidade para luminárias do parque público à noite. Há possibilidade, inclusive, de instalação de uma usina de energia solar em Tauá – a cidade já conta com a primeira usina solar em território brasileiro.

Todos esses exemplos podem servir de estímulo para que, também por aqui, governos e empresas entendam que é possível viabilizar o uso prático da energia solar.

O vídeo abaixo ensina a montar um aquecedor solar de baixo custo e com materiais bastante acessíveis.

 

Artigo escrito por Henry Galsky

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Panorama da energia solar no Brasil

Foto: Siemens

A produção elétrica a partir da energia solar ainda é tímida no Brasil. Como já vimos aqui no blog, a eletricidade obtida a partir dos raios solares responde por muito pouco da matriz energética brasileira – 1,5 megawatt (MW) do total de 118 mil MW produzidos no país. Em operação, há somente oito centrais de energia solar. Há gargalos entre a vontade de produzir e o real aproveitamento do enorme – e comprovado – potencial brasileiro.

Quanto mais áreas irradiadas pelo sol, maior é a capacidade produtiva. Segundo Clarice Ferraz, pesquisadora do grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o local com o pior grau de irradiação do território brasileiro é 40% superior ao melhor da Alemanha. Só para recordar o post anterior, a Alemanha é o país que mais tem investido em energia solar no mundo. O problema brasileiro tem pouco a ver com falta de pesquisa e investimento. Analistas e acadêmicos concordam que o principal entrave ao desenvolvimento da área é político. A falta de regulamentação impede que investidores privados se interessem pelo setor.

Por consequência, as previsões sobre a popularização da energia solar não saíram do papel. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2008 mostrava que, entre 2012 e 2013, algumas regiões brasileiras já poderiam apresentar preços equivalentes entre a energia fotovoltaica (aquela produzida através dos painéis de captação solar) e a eletricidade convencional. Como se sabe, isso não aconteceu e não há sinais de que esteja perto de ocorrer. As previsões atuais consideram o ano de 2020, mas, mesmo assim, as autoridades do assunto preferem não cravar datas. Para Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, uma disputa dos agentes do mercado pela energia solar poderia dar vitalidade ao setor. E aí retornamos à demanda por um estudo sério que viabilize a criação do marco regulatório.

É esse emaranhado político o principal obstáculo a novas aplicações de energia solar no cotidiano dos brasileiros. Enquanto essa questão não for solucionada, o país continuará desperdiçando potencial e dinheiro. É importante divulgar o montante gasto até hoje pelo governo federal em pesquisas e projetos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde 1994 – ano de criação do Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios (Prodeem) – foram repassados 37,25 milhões de dólares em recursos. Apesar dessa cifra considerável, os resultados ainda são irrisórios. Temos um longo caminho a percorrer nesse setor aqui no Brasil.

Artigo escrito por Henry Galsky

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As boas vibrações e a boa eletricidade que vêm do sol

Fonte: UNDP

A energia solar é mais uma das fontes não-poluentes que podem mudar os padrões mundiais de produção, demanda e consumo num futuro breve. Apesar de ainda ser secundária no cenário brasileiro – responde por somente 1,5 megawatt (MW) dos 118 mil MW gerados no Brasil – , a Agência Internacional de Energia acredita que esta fonte se tornará competitiva em relativamente pouco tempo: a partir de 2020. O grande entrave atual está no custo necessário para a instalação, manutenção e funcionamento de seus equipamentos.

A produção depende de estruturas complexas: são necessários painéis solares, aquelas placas retangulares responsáveis pela captação da luz do sol (como mostra a foto). O processo é minucioso: as células fotovoltaicas têm a propriedade de captar a luz e transformá-la em energia. Esta capacidade é chamada de efeito fotovoltaico e não é nenhuma novidade; foi observado pela primeira vez em 1893 pelo físico francês Alexandre-Edmond Becquerel. Apesar de antigo, o alto custo envolvido na fabricação e instalação dos painéis ainda impede o uso da fonte solar em larga escala.

 Mas as perspectivas de mudança são animadoras. A Alemanha é hoje o país mais empenhado em conseguir baratear e difundir a energia solar. Isso porque projeta reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 40% até 2020. Além desta meta, o governo alemão optou por abandonar o uso de energia nuclear após o desastre na usina de Fukushima, no Japão, ocorrido em março do ano passado. Por conta de tudo isso, no último mês de maio, as usinas solares alemãs registraram novo recorde mundial: produziram 22 gigawatts de eletricidade por hora, alimentando quase 50% das necessidades energéticas nacionais.

Aqui no Brasil também há boas possibilidade de testemunharmos, em pouco tempo, o uso de fontes não-poluentes, inclusive a que usa luminosidade solar. Segundo pesquisa da KPMG internacional, o Brasil está em oitavo lugar entre os 23 países que mais aplicam políticas de incentivo à geração de energia renovável. Já no verão de 2013, o Instituto Náutico Paraty (INP) irá pôr em funcionamento o primeiro barco destinado a transporte de passageiros movido a energia solar. Por mais que as previsões do Ministério de Minas e Energia sejam discretas – justamente devido ao custo – , naturalmente que, com pesquisa e inovação, os preços de instalação e manutenção dos equipamentos deverão cair num futuro breve.

A seguir uma animação que demonstra como funciona a Energia Solar:

Artigo escrito por Henry Galsky

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A revolução da energia inteligente

O impacto revolucionário é comparado ao que a internet fez com as comunicações no mundo. Embora ambiciosa, não é uma analogia descabida: descentralizar, reorganizar e transformar a relação entre produção e consumo de energia são consequências das chamadas redes inteligentes de energia (“smart grids”, em inglês) – e foi mais ou menos o que a rede mundial de computadores fez com a troca de informações entre as pessoas.

As redes inteligentes são um conceito que pretende otimizar a produção e o consumo de energia, tornando-os mais econômicos e sustentáveis nas duas faces do processo: desde a distribuição maciça de energia para grandes regiões ao consumo (e produção) individual de eletricidade, nas casas de cada um de nós.

Do ponto de vista macro, a implantação de processos de rede inteligente pode melhorar sensivelmente a distribuição de energia elétrica, minimizando o desperdício, reduzindo o número de falhas no fornecimento e acelerando o tempo de correção dos problemas. O investimento em tecnologia inteligente também é fundamental na produção de energia por fontes limpas, como a eólica e solar. O conceito de rede inteligente objetiva, por exemplo, diminuir ao máximo a inconstância na produção de energia por essas fontes quando os ventos estiverem mais fracos ou o sol sumir por dias.

Mas é no cotidiano individual que as mudanças devem ser mais palpáveis a curto prazo. Uma das principais ferramentas para o funcionamento de processos de rede inteligente é o medidor individual de energia, aparelho que monitora a quantidade de energia que consumimos (nos eletrodomésticos e na bateria do carro, por exemplo) e que permitirá a racionalização do gasto de eletricidade. Já há modelos sendo produzidos no Brasil. Com a rede inteligente, comodidades como ligar o ar-condicionado remotamente, minutos antes de chegar em casa, será tão possível quanto o reaproveitamento de energia excedente, jogando-a novamente na rede.

Assim, criam-se novos pontos geradores de energia ao longo de toda a rede, descentralizando o processo convencional que temos hoje, em que a energia é produzida maciçamente em locais como uma hidrelétrica e distribuída a cada consumidor. Os sistemas de smart grid têm, portanto, o potencial de transformar aqueles que são atualmente apenas receptores e consumidores de energia também em produtores e distribuidores, como a internet fez com todo tipo de conteúdo que circula na rede de computadores.

É consenso entre especialistas que essa revolução na forma como produzimos e consumimos energia é uma transformação necessária e inevitável nos próximos anos. No Brasil, onde o crescimento da economia é acompanhado pela expansão do consumo e da necessidade de melhorar a qualidade e aumentar a disponibilidade de energia nos grandes centros urbanos e industriais, já há processos importantes em andamento. O governo tem realizado ações que visam à regulamentação e implantação de sistemas smart grid, com destaque para a implantação do REGER (Rede de Gerenciamento de Energia), um projeto de grande porte e com soluções tecnológicas inéditas, desenvolvido para o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), em consórcio com a Siemens. Trata-se de um sistema de supervisão e controle virtual formado por um conjunto fortemente integrado, mas geograficamente distribuído, com compartilhamento de dados em tempo real por todos os centros de operação do ONS, localizados em Brasília, Rio, Florianópolis e Recife.

Quer saber mais sobre o assunto? O vídeo abaixo detalha alguns processos de rede inteligente:

Artigo escrito por Miguel Caballero

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