
Fonte: ONU / Divulgação - Abdullah bin Hamad Al-Attiyah, presidente da COP-18, sinaliza o fim das negociações
A mais recente teoria do fim do mundo foi criada com base numa profecia maia. Mas o calendário que preocupa é o do clima. A inquietação é porque não houve um pacto global de redução de emissões de gases estufa na conferência da ONU em Doha, a COP-18, realizada em dezembro do ano passado. E essa não foi a primeira, mas a 18ª vez que isso aconteceu. Os líderes mundiais “combinaram de combinar” uma solução para a COP seguinte – a próxima vai ser em Varsóvia. Mas acordo, acordo mesmo, só começaria a ser definido daqui a dois anos. As Nações Unidas marcaram para 2015 um tratado climático maior do que o de Kyoto. Antes, apenas países ricos se comprometiam a reduzir as suas emissões em 5,2%, em comparação aos níveis de 1990. No próximo protocolo, tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento teriam compromissos obrigatórios com a redução das emissões.
O problema é que o novo tratado só entraria em vigor em 2020 e o atual expirou no fim de 2012. Para não ficarmos sem nenhum tratado de proteção climática, as Nações Unidas optaram pelo prolongamento de Kyoto. Mas três países ricos e poluentes abandonaram o barco: Japão, Rússia e Canadá – o que deu margem para apelidarem essa extensão de “Kyotinho”. Ainda que as metas fossem cumpridas, o esforço não seria suficiente para evitar um aquecimento global perigoso. Mas Kyoto não deixa de ser importante, pois foi o primeiro e único compromisso global a impor um limite legal para emissões de gases estufa.
Outra questão da COP foi o impasse sobre ajuda financeira aos países em desenvolvimento vulneráveis às mudanças climáticas. Apesar do texto cheio de colchetes (símbolo que, na diplomacia, indica a falta de consenso), houve um progresso, sobretudo fora dos ares-condicionados da Conferência de Doha. O governo Obama reduziu em 32% as emissões de gases estufa, duplicou a disponibilidade de energia eólica e multiplicou por sete a oferta de energia solar. A China é o país que mais investe em energia renovável e o que mais produz turbinas eólicas e painéis solares. O Brasil chegou ao Catar com a redução recorde de desmatamento na Amazônia embaixo do braço. Iniciativas indicam que o desenho da matriz energética do mundo será diferente da de hoje. Mais do que isso, mostram que países importantes do “clube da fumaça” começam a falar a mesma língua.
Na final da COP-18, o chefe da delegação das Filipinas tinha acabado de saber que centenas de pessoas haviam morrido com a passagem de um forte tufão por seu país. Angustiado com a inércia das negociações, não controlou o choro e indagou: “Se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, onde?”
Artigo escrito por Pedro Vidigal






