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Solução polêmica para o trânsito

Fonte: Abhishek Mukherjee - Creative Commons

O trânsito pesado das grandes cidades brasileiras irrita a todos. E uma nova tentativa de solução para o problema está sendo discutida por algumas delas: a cobrança de pedágio urbano, que já deu certo em cidades como Londres.

Não é difícil entender por que os engarrafamentos talvez sejam o principal problema urbano em algumas metrópoles brasileiras: somos um país onde é difícil encontrar grandes cidades com bons serviços de transporte público e de massa; e onde os incentivos do governo à indústria automotiva são táticas comuns para o aquecimento da economia. O resultado são os congestionamentos diários. Desde o ano passado, está ao alcance dos governantes brasileiros uma nova possibilidade de amenizar os engarrafamentos: a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada pela presidente Dilma em 2012, autoriza as prefeituras do país a instituir o pedágio urbano.

A cobrança para circular dentro do perímetro urbano não é uma novidade. Em Cingapura, na Ásia, este expediente existe desde 1975. Mais recentemente, em 2003, Londres aderiu a este sistema e desde então viu seus engarrafamentos caírem cerca de 20% pela diminuição dos automóveis em circulação, graças ao sistema de pedágio, 150.000 toneladas de CO2 deixam de poluir a cidade anualmente. Sistemas de vídeo inteligentes da Siemens tornam possível o pedágio urbano, registrando as placas dos veículos e reconhecendo, por meio de cruzamento de dados, se o pedágio foi pago ou não.

No Brasil, São Paulo não conseguiu resolver seu problema de trânsito com o rodízio de placas, e já esboça a adoção do pedágio urbano a médio e longo prazo. No Rio, quem passa pela Linha Amarela, uma das maiores vias expressas da cidade, paga pedágio à concessionária que administra a via para poder encurtar o caminho da Zona Oeste ao Centro da cidade. A questão é polêmica. Quando se começou a cobrar o pedágio na Linha Amarela, vários cidadãos cariocas chegaram à entrar na Justiça lembrando que a prática era ilegal, sem sucesso.

Vale a pena cobrar de quem dirige carro para estimular o uso do transporte coletivo?

Artigo escrito por Miguel Caballero

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As vantagens do transporte intermodal

Fonte: Porto Intermodal de Aveiro (Portugal) / Divulgação

No trecho sobre transportes do texto final do relatório da ONU aprovado pelas centenas de países presentes à Rio+20, em julho de 2012, consta: “(…) os sistemas de transportes intermodais, que são eficientes sob o ponto de vista energético, em particular sistemas de transporte público, combustíveis e veículos não poluentes (…)”. O texto assinado pelos chefes de Estado resume uma diretriz importante quando se fala em transportes: os sistemas intermodais (quando meios diferentes de transporte, como rodoviário, marítimo e outros, se articulam) são uma necessidade e o melhor caminho num mundo preocupado com sua sustentabilidade.

As vantagens são muitas: combinando a potencialidade dos diferentes meios, é possível ganhar velocidade e segurança no transporte de cargas e reduzir a poluição, o consumo de energia e os custos econômicos. Em cada região, é claro, a viabilidade de articular diferentes meios de transporte muda de acordo com as circunstâncias locais. E não é só no transporte de cargas que o sistema intermodal é mais eficiente.

Na mobilidade urbana, as grandes cidades, como o Rio, têm procurado diminuir o problema do tráfego articulando seus meios de transporte. Trens, metrô ou sistemas de ônibus como o BRT costumam ocupar os eixos de maior circulação nas cidades e são alimentados e complementados por outros meios, como vans, ônibus e bicicletas, que garantem uma capilarização maior do sistema.

Artigo escrito por Miguel Caballero

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Aonde você vai sozinho com tanto lugar no carro?

Foto: Rhobite - HOV na Estrada interestadual 91 no Connecticut / EUA

O futuro da mobilidade no planeta aponta para vários caminhos, mas o rumo que de fato irá tomar ainda é uma incógnita. O desafio hoje ainda é economizar para garantir a mobilidade para o trabalho, lazer ou mesmo para ter acesso aos serviços de uma cidade. Uma iniciativa para superar o problema, a carona solidária, não para de acelerar, mobilizando cidadãos e ambientes corporativos. No entanto, em muitos casos, para que essa cultura ganhe força é necessária uma maior colaboração do poder público, oferecendo outras vantagens para as pessoas que compartilham automóveis.

Pensando nisso, em muitos países foram criadas pistas exclusivas para veículos com grande taxa de ocupação (carpool lanes ou HOV). O nível de ocupação mínima por automóvel nessas pistas varia de 2 a 3 ocupantes. Essas linhas buscam aumentar a ocupação média dos veículos, com o objetivo de reduzir o congestionamento e os níveis de poluição atmosférica. Os Estados Unidos foram pioneiros na ideia e já contam mais de 1.600km espalhados em 126 pistas desse tipo.

Grandes cidades na Europa, Canadá, Austrália e Nova Zelândia também garantem aos carros com maior índice de ocupação faixas mais livres e gratuitas, nos horários onde o tráfego é mais intenso. Já os motoristas solitários, ao trafegar por elas, pagam uma taxa. Hoje, já não é tão raro também encontrar estacionamentos rotativos que oferecem vagas exclusivas para carros mais ocupados. Grandes condomínios também disponibilizam vans ou ônibus para seus moradores ou visitantes. Além do benefício direto ao meio ambiente, há que se considerar os benefícios sociais e a grande economia gerada para todos.

Portanto, a melhor hora de pegar carona nessas ideias é agora. Para o desperdício, sinal vermelho!

Artigo escrito por Mauro Vianna

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Cuidado, animais na pista!

Muito comum na Europa e na América do Norte, as zoopassagens são exemplos de práticas relacionadas às Rodovias Verdes - Foto: K.Gunson - Zoopassagem no Banff National Park no Canadá.

Os números são impressionantes: 14,7 milhões de animais morrem anualmente vítimas de atropelamento nas estradas brasileiras. A matemática é assustadora: 28 bichos mortos por minuto, grande parte animais silvestres. Se levarmos em conta que a quantidade de rodovias monitoradas no país é uma minoria, essa verdadeira tragédia ambiental é ainda maior. Definitivamente, quando o assunto é ecovias, o Brasil tem um longo caminho pela frente.

Transformar nossas rodovias em ecologicamente corretas é um desafio e tanto para um país de dimensões continentais como o nosso. O impacto ambiental já começa pela própria construção da via. Se as estradas diminuem as distâncias entre cidades para nós seres humanos, ela dificulta a circulação dos animais, que precisam se mover para alimentação e reprodução. Mas a maré começa a mudar por aqui. Muito comum na Europa, o conceito de ecovia está ganhando força no Brasil, com rodovias que adotam passagens de animais, tanto por cima quanto por baixo do asfalto, limites de velocidade e critérios mais rígidos de licenciamento.

A BR-040, que liga o Rio de Janeiro à mineira Juiz de Fora, já possui zoopassagens e é monitorada por uma equipe de biólogos. Outro exemplo é a Estrada de Mauá, primeira via classificada pelo governo do Rio como estrada-parque, que segue o conceito das ecovias, com trechos para circulação de animais e velocidade reduzida para veículos. Mas esse modelo de rodovia não é uma unanimidade. Alguns ambientalistas acreditam que as estradas-parques não resolvem o problema. Para eles, é preciso impedir as construções de vias que cortam áreas preservadas. Só assim evitaríamos tantas mortes de bichos em nossas estradas. O tema dá pano para manga, mas numa coisa ninguém discorda: o problema é grave e as soluções, urgentes.

Veja o vídeo abaixo e conheça mais sobre a estrada-parque de Mauá. 

Artigo escrito por Gabriel Pondé

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O RESPOSTAS SUSTENTÁVEIS é um blog colaborativo em que presente e futuro são discutidos. O que já está sendo feito? Como está sendo feito? De que maneira o mundo pode ser melhorado? Aqui, você participa e compartilha esse movimento.

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