Na Lagoa Rodrigo de Freitas, a maré está para peixe e para grandes transformações
A paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas está passando por uma evidente e rápida transformação. De uns meses para cá, há muito mais embarcações e praticantes de diversas modalidades de esporte aquático disputando o espelho d’água. Quem se detiver em um olhar mais cuidadoso, poderá perceber que há muito mais pássaros no entorno, não apenas na quantidade, mas também na diversidade. Investigando ainda mais, vai saber que dentro da água a população também mudou. Além de viver de forma mais saudável, os seres aquáticos também contam com o retorno de velhos conhecidos, como frangos-d’água, biguás e outras espécies de caranguejos, motivo de grande alegria para a colônia de pescadores.
Se antigos moradores estão de volta, é porque as condições do local vêm deixando de ser inóspitas como eram antes. Aquele cenário de destruição que cariocas e turistas presenciavam há cerca de vinte anos, com peixes asfixiados em uma lagoa quase morta, parece que encontrou um caminho reverso e definitivo.
É dentro desse espírito que a Siemens criou, em parceria com a Colônia de Pescadores Z-13, Sindieco e Instituto Pares, o Projeto Socioambiental “Nossa Lagoa é para Peixe”, que estimula a reciclagem de garrafas PET e latinhas de alumínio, incentiva o descarte correto nos pontos de coleta espalhados pela lagoa e desenvolve programas de educação ambiental. Tudo isso com o objetivo de evitar que o material vá parar na água, poluindo o ambiente e causando grande prejuízo à pesca, ao ecossistema local e a esse patrimônio da cidade em geral. Os próprios pescadores, em suas horas livres, atuam como agentes ambientais, coletando esses materiais, que são recolhidos para reciclagem por uma empresa especializada. Eles também estão trabalhando no engajamento de comerciantes locais para que estes realizem a separação do lixo de forma correta e participem do projeto entregando PETs e latinhas de alumínio para reciclagem. Além do ambiental, o aspecto social também é favorecido: a venda dos recicláveis é revertida para a Colônia de Pescadores Z13 – Comunidade Lagoa, gerando renda para melhorias na comunidade local e para a manutenção do projeto.
Para a cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016 e precisa da lagoa como cenário para esportes náuticos, as notícias são bastante animadoras e parece que vêm junto com a maré de alta autoestima que o carioca vem sentindo chegar. Afinal, a cidade que recentemente recebeu o título de “Patrimônio da Humanidade” deve dar esse exemplo e muitos outros, tantos que seriam necessários muitos parágrafos para descrevê-los. Mas é importante celebrar algumas conquistas, ainda que parciais. O próximo passo é aguardar com muita expectativa e otimismo a liberação da lagoa para banho.
Artigo escrito por Mauro Vianna





